
Este Blog hoje preparou uma série de reportagem para discutir as mudanças na legislação. Esperança e expectativa das crianças que estão em abrigos e também dos pais que esperam há muito tempo por um filho.
Histórias de adoção.
Hj mostraremos uma história emocionante de uma família que adotarou uma criança e hoje têm um filho do coração para criar.
Jéssica ganhou uma nova família aos 11 anos de idade. A psicóloga Fabiana Toledo foi voluntária no abrigo onde a garota vivia; o trabalho terminou, mas as duas não conseguiram mais se separar. “Eu falei: ‘você quer que eu seja sua madrinha, quer dormir lá em casa?’”, conta a mãe.
A família de Fabiana também queria Jéssica bem perto. “Todo final de semana, ela começou a ir lá pra casa. As crianças começaram a pedir: ‘mãe, vamos buscar a Jéssica?’”, lembra. “Quando comecei a pensar em adotar, falei com meus filhos: ‘não tem essa coisa de, se brigar, dizer que não é mais irmã. Não existe isso, é pra sempre. A adoção não era só minha nem do meu marido, era nossa. Jéssica iria nos adotar, meus filhos iriam adotá-la”.
Jéssica quis ouvir os futuros irmãos. “Eu cheguei, vi o quarto, e no quarto eu perguntei assim pra Leila: ‘olha só, se eu tiver pegando seu pai de você, me fala, tá? Porque aí eu falo que não quero ser adotada’”, lembra Jéssica, emocionada. “Aí, ela falou assim: ‘não, Jéssica, você não vai pegar meu pai, não. Eu quero ser sua irmã, vou dividir papai e mamãe com você’. Eu fiquei muito feliz e depois daquilo me soltei, comecei a ver que eu estava ganhando uma família".
Isso foi há quatro anos. A insegurança ficou no passado; os pais de Jéssica sentem que agora a família está completa. “Esse é o verdadeiro amor: você amar a diferença, amar a mãe quando está irritada, amar o pai quando faz alguma coisa que não te agrada. Esse é o verdadeiro amor, o amor que sustenta tudo", garante Fabiana.
“Adoção: um destino em suas mãos”. Essas palavras dizem muito de um ato que não tem a ver com solidariedade, mas com amor; um afeto que cura tudo. Quem adota, quase sempre toma uma decisão depois de pensar muito – às vezes, até mais do que os pais que tiveram os filhos de maneira natural.
As crianças que sabem desde pequenas que foram escolhidas são mais seguras para enfrentar a vida. Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Paraná com um grupo de 300 filhos adotivos e 300 biológicos surpreendeu os psicólogos.
“Os filhos adotivos mostram seus pais como mais participativos, mais envolvidos”, afirma a psicóloga Lídia Weber. “Algum tempo atrás, no Brasil, não se falava sobre adoção; se sussurrava sobre adoção. Era uma coisa marginal, que devia ser escondida.
Hoje não; existe um movimento grande e lindo da sociedade civil, que são os grupos de apoio a adoção. Isso faz, sim, com que as crianças se sintam muito especiais – portanto, com a auto-estima muito elevada”, garante.
Lídia Weber diz ainda que o ideal é contar sobre a adoção desde os primeiros anos, de acordo com a capacidade de entendimento da criança. “O momento ideal de se contar para uma criança que ela foi adotada é desde sempre”, orienta a psicóloga.
E dá uma dica: “Mesmo que a criança seja um bebê, os pais devem utilizar a palavra ‘adoção’ no sentido positivo – por exemplo ‘eu adotei a cor azul pra mim, porque eu gosto do azul’. No sentido de uma coisa boa”.
Helena já sabe de cor a história de como chegou à casa dos pais, mas as lembranças sempre emocionam. Tudo começou com os sonhos da empresária Clarisse Palma. “Eu comecei a sonhar com uma criança, com a presença de uma criança correndo pela casa", conta.
Foram meses de procura nos juizados e abrigos. Clarisse não podia mais ter filhos, e durante dez anos guardou esta vontade no coração. Até que, um dia, a espera terminou. “Ela veio para o nosso colo e se aconchegou feito um gatinho. Aí ela dormiu, e de repente ficou aquele silêncio no fórum, as pessoas se entreolhando.
Aí o meu marido falou assim: ‘dorme, minha filha, dorme, porque você finalmente encontrou sua mãe’. Ela é uma bênção na nossa vida", lembra a mãe, emocionada. Helena se acostumou à reação dos pais: “Eles não conseguem segurar o choro, chorar faz parte”, diz a menina.
“A adoção é uma emoção muito intensa. Isso é amor, não tem um amor diferente porque é adotivo, não tem isso. É amor", define o pai de Helena, o empresário César Coelho.( matéria pegada no site JH ' )